10.4.13

Castelo de sonhos

                Em um castelo, abandonado no alto de uma colina, vivia um dragão. Transtornado pela falha de sua própria magia ele não saía daquele lugar buscando uma forma de reverter o episódio mais trágico de sua vida...
Um dia fora humano. Vivia em uma casa comum. Era considerado um grande mago pelos seres a sua volta. Mas ele não queria apenas fama; queria a imortalidade. Dedicou anos de sua existência estudando meios de tornar seu desejo realidade. E em uma noite de lua cheia, quando pensou estar pensou estar pronto, pôs seus planos em prática. Foi para o cemitério mais próximo e procurou por um túmulo que havia sido fechado há pouco tempo. Encontrou um e com pouca dificuldade, já que era um mago, abriu a sepultura e retirou um grande caixão de lá. Sua intenção era reverter os processos da morte e utilizar o cadáver como ponte para o mundo dos mortos para descobrir o que os prendia lá e assim quebrar as correntes do que parecia impossível e se tornar a própria eternidade. Porém, quando abriu o caixão, todos os seus desejos e ambições foram embora. Ele não se lembrava nem do por que estava ali. Ao olhar para o caixão, seus olhos se prenderam na imagem mais linda que ele já tinha visto. Uma paixão devoradora o tomara cegamente. Ele não podia parar de olhar para aquela bela mulher deitada ali, morta. Mas para ele, parecia ter tanta vida...
Completamente louco, ele a tomou nos braços e a levou para sua casa. Chegando lá a colocou em sua cama e se pôs ao seu lado, mais uma vez enfeitiçado e sem conseguir tirar seus olhos dela. Seus planos haviam mudado. De que adiantava ter a eternidade se não podia ter aquela mulher para compartilhá-la com ele? Como sobreviver sem ela depois de tê-la conhecido? Sua mente tinha sido roubada por aquela estranha. O mago tinha então que agir depressa. Sabia que não tinha muito tempo. Mas sua ideia inicial ainda poderia ajudá-lo. Então resolveu voltar ao cemitério e tentar novamente. Procurou outro túmulo recém-fechado e ao encontrar, o abriu e depois abriu o caixão. Desta vez, era um homem. O mago rasgou a camisa deste e com uma adaga que havia trazido de casa, desenhou em seu peito o símbolo da imortalidade e proferiu algumas palavras que o transportaram para o lugar onde ele se encontra hoje. Ao chegar lá, um dragão de vermelho intenso apareceu e disse:
_ Não pode mudar as regras da existência humana. Você tinha poderes o bastante para ter uma vida feliz, mas desejou o impossível e se tornou infeliz. Roubou um corpo e uma alma e como punição, eu tomarei seu corpo para mim e você ficará com o meu, preso neste castelo até que sua alma descubra uma forma de se libertar.
Depois disso, o mago se transformou no dragão e vice-versa e o mago pôde ver seu corpo desaparecer no nada.
                Até hoje ele não descobriu um meio de sair dali. Como poderia? Sua mente só pensa em uma maneira de ter a mulher dos seus sonhos para si.