10.4.13

Dia de lágrimas

Novamente perdida entre pensamentos e nuvens,
observando o céu que está totalmente coberto
Não sei se só eu que vejo este céu
mas ele é escarlate e derrama gotas e mais gotas de sangue sobre mim:
a garota que está quase sempre deitada em cima do túmulo mais antigo do velho cemitério
Aquela que o tempo todo tenta lutar contra seus impulsos suicidas; cada vez mais fortes
Meus dias são angustiantes...
Horas parecem séculos; partículas do infinito para que meu tormento seja mais duradouro
Sempre com um caderno e uma caneta em mãos,
procuro me desfazer dos sentimentos de tédio e incerteza que colidem com a minha vida
Nunca satisfeita, mil rabiscos e páginas rasgadas aparecem diante de mim
É como se todo o meu ser existisse para nada
Não consigo ver o certo no que faço
mas também não me acho errada por ter motivos para fazer tudo o que faço
Talvez eu nem saiba o que é certo e errado
Talvez isso não exista
E o “talvez” me invade e me tortura
Não ter respostas é a causa maior de toda a irritação,
que cresce enquanto pareço perder minha alma para o vazio;
um lugar não muito diferente de mim
já que estou me sentindo vazia...
Mas por que sinto o peso de viver?
Não faz sentido
Nada faz sentido
Procuro o barulho do sábio silêncio, mas ele se foi
Restam-me apenas vozes, muitas delas, gritando e me dizendo o que devo ou não fazer
Já não sei se são vozes reais dos que estão a minha volta
ou se estou novamente imersa em sonhos, pesadelos...
O resultado é essa loucura presente em meus olhos, que enxerga-se de longe
e diz tudo e nada sobre mim
Afinal, é o que sou
O tudo e o nada...
Colidindo, de novo e de novo.