10.4.13

Doce vingança

         Num dia frio, Émily estava encostada numa árvore lendo um livro que contava a história de uma garota que resolveu fugir de casa porque não suportava a cobrança dos pais, quando pensou ser a própria garota inventada, pois tudo o que ela queria era estar em outro lugar, de preferência bem distante dali, para morar. Ela tinha 16 anos e seus pais a tratavam como se ela tivesse 5. Ela queria poder agir com seu próprio modo de pensar, se vestir por seu próprio gosto e respirar sem sentir que estava sendo sufocada. E querer parecia ser extremamente diferente de poder.
         Émily respirou fundo e caminhou até sua casa que era próxima dali. Ao chegar sentiu uma sensação inquietante de descontentamento que ela já estava acostumada a sentir toda vez que chegava naquele lugar. Entrou e logo teve de ouvir a mãe brigando por ela viver fora de casa sempre com um livro na mão e a cabeça na lua. Ela disse mais alguma coisa mas Émily já tinha se retirado para o quarto. Agora o fim. Em poucos segundos a nova sensação que a invadiu foi de coragem. Coragem de pegar suas coisas e sumir. E na madrugada, foi isso que ela fez.
         Pela manhã Émily já estava bem longe, sorrindo e cantando. Sentindo que fez o que deveria ser feito. Ela não tinha para onde ir  mas resolveu que qualquer lugar seria melhor sendo ela livre. Estando envolvida pela felicidade, nem percebeu que havia um homem atrás dela, seguindo-na desde o momento que ela saiu de casa. Mas logo, o homem a pegou por trás e tendo um revólver, apontou-o para a cabeça da garota e disse "Fique quieta". Émily sentiu toda sua felicidade esvaindo-se e  virando fumaça, enquanto se enchia de medo e ódio. O homem a puxou devagar  para o lado esquerdo que dava em uma estreita estrada onde andaram até avistar uma densa mata e depois uma casa. Ao chegar lá ele virou a garota de modo que ela ficasse de frente para ele e com a arma ainda apontada para ela, disse para entrar e se sentar no sofá. Émily, mais tranquila agora - por um motivo que nem ela sabe - se virou, girou a maçaneta da porta a sua frente e se deparou com uma sala pequena onde havia apenas um sofá. Ela então caminhou até ela e se sentou. Atrás dela vinha o homem com a arma que olhou para ela de cima a baixo e sentou-se do seu lado.
_ Agora vou pedir para que tire a roupa e deite-se.
         Émily, sem acreditar no que tinha ouvido, gritou:
_ Não farei isso nunca! Prefiro morrer a me deitar com você.
_ Então vou ter que te deitar a força - Dizendo isso, o homem  a puxou pelos cabelos e arrastou ela até a cozinha onde deixou a arma na pia e segurando firme nos cabelos de Émily, levou-a até um armário onde fez ela procurar um vidro azul. Ao encontrar, mandou que ela o abrisse e tomasse seu conteúdo e novamente émily se recusou. Então o homem se ajoelhou de frente dela e como era mais forte, abriu sua boca e jogou nela 2 comprimidos e a fez engolir. Então se sentou e esperou.



         Émily acordou desesperada depois de um pesadelo com os pais. E ao olhar em volta viu que estava em um quarto desconhecido, em uma cama desconhecida. Logo notou também que estava nua e nesse momento ela se lembrou do que havia acontecido antes que uma nuvem de escuridão a envolvesse e entendeu que o pior tinha acontecido. Começou a chorar e procurou pelo quarto suas roupas. Encontrou-as no chão, perto da porta que dava acesso à sala. Vestiu-se e caminhou até aquele maldito sofá e depois correu em direção a porta que não estava trancada. Sem tempo para desconfianças, ela foi embora e voltou a seguir o caminho que tinha sido desviado.
         Sempre assustada e olhando para trás todo o tempo, ela chegou a um restaurante onde havia uma placa que dizia "Precisa-se de garçonete". Sem pensar duas vezes ela foi até lá e após conversar com o gerente, conseguiu o emprego. Agora só precisava descobrir onde ficaria enquanto não estivesse no trabalho. Então ela saiu do restaurante e depois de caminhar um pouco ela avistou uma casa abandonada onde entrou e declarou que ali seria seu novo lar.



         Os dias passaram, Émily não perdia a esperança por causa da vida cruel e seguia seus dias trabalhando e indo para casa apenas para dormir porque não havia outra coisa para ser feita e assim ela viveu por alguns anos até que depois de muito sofrimento e de uma vida péssima, ela pegou o dinheiro que havia juntado e resolveu ir às compras. Ela não sabia bem o que ia comprar pois precisava de muita coisa e não tinha muito dinheiro. Então um pensamento lhe ocorreu: pensou que não precisaria de mais nada se ela conseguisse vingança. Ela não só queria se vingar do homem que a violentou como queria também se vingar de seus pais e do mundo. Obviamente não podia simplesmente sair matando quem visse pela frente - apesar dessa ser sua atual vontade - então ia precisar de um plano.
         Em casa, depois de pensar bastante, resolveu que já sabia o que fazer. Saiu e foi até um grande supermercado onde se vendia de tudo. Procurou uma serra elétrica e a comprou, decidindo assim que esta seria sua arma de destruição. Comprou também uma mochila enorme, sacos plásticos, um lençol e após pagar colocou tudo na mochila e se pôs de volta a estrada. Andou por horas e finalmente encontrou a casa onde o episódio mais odioso de sua vida tinha acontecido. Sabia que ia ser fácil porque aquele homem, por quem ela dedicava seus mais profanos pensamentos, estaria sozinho. Ela caminhou em volta da casa e encontrou uma janela. Olhou através dela e pensou que ia ser fácil demais; o homem estava dormindo em sua cama. Ela caminhou até a porta da sala, abriu-a com muito cuidado e entrou. Logo se dirigiu até o quarto. Olhou para sua primeira vítima com ar de desprezo, se aproximou da cama, abriu a mochila, tirou o lençol enrolando-o em si, tirou a serra e puxou a corda para ligá-la. Com o barulho o homem acordou. Mas antes que dissesse algo Émily já o degolava com a serra, fazendo as paredes e o lençol ficarem manchados de sangue. Ela riu como nunca, com a felicidade mais sincera do mundo. Então tirou da mochila um dos sacos e colocou a cabeça do homem dentro dele. Ao perceber que o resto do corpo não ia caber em um único saco, começou a esquartejá-lo, depois colocou suas outras partes nos sacos e deixou eles debaixo da cama. Era hora de hora seguir em frente. Limpou suas mãos no lençol, enfiou ele e a serra na mochila e voltou para a estrada. Seguiu cantando até chegar ao portão de sua antiga casa, onde ficou por um tempo só observando a mansão. Resolveu entrar. Foi até a porta e bateu. A mãe veio atender a porta e ao ver a filha começou a chorar e gritar de felicidade. Logo o pai veio ver o que era e fez o mesmo. Émily, falsamente, também começou a chorar e disse:
_ Me perdoe por abandonar vocês. Será que poderíamos voltar a ser uma família feliz?
         Os pais a abraçaram e dizendo "É claro"a mandaram entrar. Já era noite e a mãe foi preparar uma cama para ela se deitar. Enquanto isso, Émily foi até a cozinha e procurou pelos soníferos do pai que tinha insônia. Ao encontrar, preparou um chá de camomila e jogou 8 comprimidos na água ainda fervendo e esperou até o remédio dissolver. Depois colocou o chá em uma chícara e levou para o quarto onde a mãe estava.
_ Mãe, olha o que eu fiz para você: seu chá preferido.
         A mãe agradeceu e com uma feição bastante alegre bebeu todo o chá e disse para a filha que já podia ir se deitar e que ela e seu pai iriam fazer o mesmo. Émily fez o que ela disse e esperou 1 hora para colocar seu próximo plano em ação. Foi até o quarto dos pais levando sua mochila e repetiu o processo de colocar o lençol sobre si e tirou a serra fazendo o pai acordar.
_ O que é isso?
_ Só vim lhe dar boa noite, papai! - Dizendo isso ela o degolou e foi até a mãe fazer o mesmo. Com esta nem teria graça pois os remédios haviam feito efeito. Depois esquartejou os dois, colocou o corpo deles nos plásticos e em 5 viagens levou eles até a garagem onde ficava a pickup do pai. Colocou tudo na traseira do carro e dirigiu até a casa onde havia matado sua primeira vítima. Émily sabia dirigir porque quando era criança e não tinha problema com os pais por ela ser obrigada a fazer tudo o que queriam, o pai tinha ensinado Émily a pilotar sua pickup e uma moto do tio. E estas aulas tinham sido bem úteis agora.
         Ao chegar na velha casa, foi logo para  o quarto, de onde trouxe as partes do corpo do dono para colocar no carro. Depois de ter feito isso, dirigiu até uma rua que era deserta por causa do seu mau cheiro. Desceu do carro e procurou pela abertura onde era despejado todo tipo de lixo que ia parar no esgoto e depois num córrego. Quando encontrou, jogou parte por parte o corpo dos mortos nessa grande abertura e ao terminar, correu para o córrego de onde agora podia se ver partes de pessoas a flutuar. Com a mesma alegria de quando tinha fugido de casa, Émily começou a cantar e dançar nas margens do córrego e decidiu esperar por acontecimentos que a fizessem querer se vingar. Ela tinha certeza que em breve isso aconteceria. Mas agora ela tinha outra casa para cuidar.