10.4.13

Solidão consentida

Dessa vez não é em um túmulo que me conforto,
não seria má ideia estar em um,
mas no momento é minha própria cama que me mostra o quanto estou só
e o quanto não me importo com isso
Sim, estou só
Entre panos e pensamentos sobre como sair dessa prisão que é minha vida,
desse tormento que é o mundo,
desse desespero de querer algo e nunca tê-lo
Mas já me acostumei a apenas esperar pela compreensão alheia
que talvez um dia possa me fazer falta
Mas agora o que deixa a desejar é a minha vontade de dormir,
pois ao menos dormindo só tenho visões aleatórias de coisas que crio inconscientemente
e que não podem me ferir como a vida real
E o que espero é somente sono,
para adormecer e esquecer que quis abrir mão da solidão
A solidão,
tão má julgada pelos outros,
mas essa sim realmente me faria falta
pois nascemos uma para a outra,
somos duas incompreendidas
e ninguém se importa se não estamos por perto
Aliás, ninguém nos quer por perto
Pois que essa vontade se cumpra,
não me importo de me isolar,
depois de alguns anos observando o meio em que vivemos,
você percebe que não iria perder absolutamente nada estando só
Não há com o que se preocupar...