8.8.13

A paixão de Lúcifer

Meia-noite no Convento de Amsterdã. O sino da capela toca e Mary acorda de um pesadelo. No sonho, o próprio Lúcifer tinha tomado o lugar da Madre Vallery e recitava coisas satânicas para seus servos demônios. Mary se levantou e se dirigiu à capela. Foi até o altar, se ajoelhou e começou a rezar em voz baixa. Quando terminou, acendeu uma vela no santuário da Virgem Maria. Ao se virar, a vela apagou. Mary voltou a acender a vela. Ao se virar, esta se apagou novamente. Mary que já estava assustada com o pesadelo, não ousou reacender a vela. Apenas fez o sinal da cruz e foi para a cama.
Não conseguiu dormir. Passou a noite toda rolando na cama. Quando o sino tocou mais outras 6 vezes, todas as freiras se levantaram. Mary também. 06 da manhã e Mary estava acabada. A freira Lucy percebeu isso e perguntou o que havia acontecido, Mary contou. Lucy ficou apavorada e disse que era melhor conversar com a Madre e tomar os devidos cuidados pois algum espírito ruim podia estar por perto.
Após o café-da-manhã, Mary fez o que Lucy recomendou; foi conversar com Vallery. Assim que se aproximou da capela, sentiu uma sensação estranha, como se estivesse sendo seguida. Não havia mais ninguém no corredor. Seguiu adiante. A Madre estava orando de frente ao altar como fazia todas as manhãs. Mary fez o sinal da cruz, sentou-se em um dos bancos e esperou que a Madre terminasse. Quando ela se virou, Mary se levantou e caminhou até ela.
_ Madre, preciso te contar uma coisa.
_ Pode dizer.
            Mary contou o que havia acontecido e assim que contou sobre o episódio da vela, todas as 27 velas acesas da capela se apagaram e as outras 23 apagadas se acenderam. Vallery pegou a bíblia que estava no altar e começou a ler um trecho enquanto Mary segurou firme seu terço e começou a rezar o pai nosso em voz alta. Em 5 minutos todas as velas estavam apagadas.
_ O que faremos agora? – Perguntou Mary.
_ Não sei. Há muito tempo algo assim não acontecia.
_ O que aconteceu de parecido?
_ Bem, a Lucy teve o mesmo pesadelo que o seu há 13 anos. Ela fez o mesmo que você; foi até a capela rezar. Porém, quando ela estava voltando para o dormitório, algo tomou seu corpo. Ela fez algo terrível. Ela diz nem se lembrar. Nós também fingimos esquecer.
_ O que ela fez?
_ É melhor não saber.
            Mary ficou pensativa. Vallery disse:
_ Não pense muito nisso. Fará mal para si mesma. Vamos, temos de seguir nossas vidas. Não espalhe o que aconteceu aqui.
            Durante 4 dias tudo seguiu normalmente. Até que Mary teve outro pesadelo; idêntico ao anterior. Meia-noite ela se levanta e vai até a capela rezar. Só depois que termina a oração, se lembra do que a Madre falou. Seu coração dispara e ela não sabe se fica ou se volta para a cama. Resolve ir dormir. Uma vela se acende. Um candelabro grande de prata cai. Mary grita. Logo, todas as 52 freiras e a Madre estão a sua frente. Vallery pergunta o que foi. Assim que todas entram na capela, a porta se fecha. A pergunta já não precisa mais ser respondida.Lucy se manifesta.
_ Ele está de volta.
            Seus olhos ficaram totalmente brancos e ela caiu no chão. Algumas freiras começaram a chorar, outras começaram a rezar. Vallery se dirigiu ao altar e disse:
_ Acalmem-se. Por favor, todas vocês deixem a Lucy acordar naturalmente. Vamos rezar o pai nosso 10 vezes, depois acenderemos as velas e leremos trechos da bíblia.
            As freiras obedeceram prontamente. Todas estavam concentradas, de pé e de olhos fechados, rezando em voz alta. Ninguém viu ou ouviu quando Lucy se levantou com os olhos ainda brancos, tapou a boca de uma freira que estava mais próxima de si e cortou sua garganta com o crucifixo de seu terço. Ela fez isso com as 7 freiras que estavam nos cantos dos bancos. Depois, dirigiu-se ao altar e deu um soco no rosto de Vallery. Esta caiu no chão. As freiras cessaram a oração, abriram os olhos e se chocaram ao ver a Madre no chão. Logo perceberam também que havia cadáveres ao redor da capela. Antes que pudessem dizer algo, Lucy disse:
_ Que poder a oração de vocês tem quando são apenas humanas e eu sou o dono da maldade, aquele que pode fazer qualquer coisa para conseguir sua morte? – Sua voz não estava normal; era mais grave e rouca.
            Vallery continuou orando.
_ Cale a boca, sua velha! Isso só vai aumentar o meu ódio e fazer sua morte ser mais lenta e dolorosa. Quando vim nesta porcaria da primeira vez, só pude matar a irmã de Mary – Mary mal pôde acreditar no que ouviu. Ela tinha 5 anos quando sua irmã, Emanuely de 18, morreu com 12 facadas pelo corpo. Nunca soube quem tinha feito aquilo. Começou a chorar. – Eu queria você, Mary! – Lucy olhou diretamente para ela. – Se eu a tivesse matado, levaria sua alma comigo e ficaríamos juntos para sempre, mas te esconderam e eu levei sua irmã para compensar sua falta. Por 13 anos ela me satisfez, mas eu cansei. Você vem comigo esta noite. Mas todas essas almas que se dizem puras e fiéis àquele inútil ser também vão.
            Lucy pegou o candelabro de prata e bateu o cilindro na cabeça de Vallery, esta desmaiou. Lucy ateou fogo nela. As freiras gritaram. Uma tentou abrir a porta. Lucy caminhou em sua direção lentamente, parou no meio do caminho para puxar uma das cordas da cortina, depois seguiu adiante, puxou a freira que tentava fugir pelos cabelos, a amarrou na janela e também colocou fogo nela. Matou as outras freiras utilizando seu crucifix, o candelabro, bateu a cabeça de uma delas na quina do altar até que saísse sangue por seus olhos, até que restou somente Mary. Ela estava no chão, em prantos.
_ Mary, minha cara. Tenho um lindo destino para você. Você será minha rainha no inferno.
_ Nunca!
_ Você não tem escolha. Não é algo ruim, minha cara. Vou até deixar você escolher o modo como quer morrer.
_ Mate-me como quiser desde que eu nunca mais tenha que falar com você.
_ Ah, não quer falar comigo? Pois bem.
            Lucy olhou para os lados e viu que em cima de uma mesinha havia um pedaço de pão e uma faca. Foi até lá e pegou a faca. Se aproximou de Mary novamente e ordenou:
_ Abra a boca e mostre sua língua.
_ Não!
            Lucy pegou outra corda, arrastou Mary até outra janela e lá amarrou seus braços, pernas e pescoço e puxou a língua dela para fora. Cortou sua língua lentamente. Mary chorou desesperadamente.
_ Você não precisa falar comigo. Ainda assim será minha – disse Lucy. – E ainda vou fazer uma homenagem à sua irmã. Você vai morrer como ela.

            Dizendo isso, Lucy começou a furar Mary. Após as 12 vezes, Mary estava morta. Lucy sorriu e caiu no chão. Logo depois, acordou e, ao olhar a sua volta, mal acreditou no que estava vendo. Saiu da capela e telefonou para o Padre da Igreja mais próxima. Nem ele acreditou no que ela lhe contou. Lucy foi indiciada pelos 53 assassinatos. Quanto a Mary, bem, esta deve estar sendo bem cuidada por Lúcifer em outro inferno...

(Com Lúcifer quis dizer Satã; Lúcifer tem mais de um significado)