23.4.14

Em meu peito mora uma dor que não passa; não muda; insiste em ser protagonista do meu dia. Ela quer roubar teu lugar mas eu não deixo. Eu não deixo e ao invés de tentar te esquecer, meu instinto quer esquecê-la. Como meu corpo não tem mais a quem se entregar, eu o corto; minha alma pede que eu o dilacere mas eu também não o faço, já que a esperança de estar em teus braços ainda corre em minhas veias, alguns cortes são o bastante para ter um pouco de paz. Ao ver este sangue contaminado pela angústia escorrer, um pouco da falta de amor também se vai, me fazendo sentir menos vazia, descubro a beleza não aparente que tanto busco no espelho. Minhas poucas qualidades estão onde só você conseguiu chegar: no fundo do que sou. Você sabe - parece que só você sabe - que não é tudo escuro ou tão desprezível; há algo para amar ou pelo menos admirar. Admiro então a tua paciência, que apesar de frágil, soube encontrar todos os meios de satisfazer um coração raro já desiludido com a vida; tua paciência, demasiada bela quanto tudo que dura pouco, é inspiração, é motivação! Queria que soubesse do poder que traz tua existência que tanto te faz infeliz. Como parece ser lei da vida, tua infelicidade em viver, apesar de me doer, me faz feliz pelo fato de ter descoberto nela um sentido maior, uma verdade pura, um mundo desconhecido, a última luz. Hoje te imploro por companhia sabendo que minhas palavras já não são tão favoráveis a meus pedidos, mas me recordo de todos os meus desejos que você realizou, e ao mesmo tempo que essa dor aumenta, um anjo com teu nome me enfrenta e me diz para esperar um pouco mais, pois daqui uns dias estará tudo bem.