15.4.14

Me vejo diante de um quebra-cabeça de peças infinitas sem que eu possa distinguir as certas das que apenas querem me confundir. Não encontro o meio de reconhecer os motivos que me trouxeram até aqui, me deixando à deriva num mar de ilusões. Você é como um icebergue; só pude conhecer o que estava na superfície mas jamais tive oportunidade de mergulhar e descobrir o que estava mais abaixo. Ninguém voltou para saber se eu tinha me afogado mas eu sei que todos acham que a melhor maneira de nos salvar era me deixando para trás, sem contato com vidas que eu poderia destruir. É como se eu fosse o perigo do qual todos tentam alertar uns aos outros para então fugir. E como é que eu fujo de mim? Sou obrigada a permanecer me movimentando apenas como este mar quer, sem escolhas, sendo levada pela turbulência ou apenas com o vento. Sonhos foram vendidos para manter minha sobrevivência sem motivos aparentes mas com toda urgência em saber onde isso vai dar. Enquanto isso, a angústia que encobre as noites, me diz que ficarei aqui para sempre em correntes que não posso quebrar.