25.9.14

Um mergulho no fim

O vento do Leste já não sopra mais sonhos, não traz esperança
Sua alma tem marcas de todas as cores e tamanhos
Não há refúgio que faça um coração partido esconder suas cicatrizes
A verdade sempre está presente alfinetando pensamentos lentamente
O tempo não passa como antes; ele pousa em seu ombro e lhe conta histórias
Por mais absurdo que pareça, ela não está cansada de ouvi-las, pois o silêncio é a pior tortura de quem já está demasiadamente só
Às vezes ela sente falta da dor; se tornou tão inerte em seu mundo que a realidade não a atinge
Quem a olha não entende os olhos que brilham sem movimentos, perdidos no horizonte
Mas ela já está acostumada com a incompreensão alheia
Agora, lhe falta consciência e memória
Todo dia o tempo lhe dá uma nova história para que não precise viver do cruel passado e só anseie pela única coisa que ela tem visto passar.