15.12.14

Inferno interior

Mais um dia de chuva para um coração que quer sair e ver a vida
Quando há sol a vontade se vai e quando há tempestade o desejo queima
E nunca, nunca um dia nublado para que eu conheça o equilíbrio;
para que o vento não mude minha direção e apenas balance gentilmente árvores que também ficaram na escuridão
Os pássaros fugiram e o único canto é o meu; que se estabelece com suspiros e, às vezes, prantos
Parece que é um outro país, um outro planeta, não sei bem onde estou
Me entreguei ao conforto da escuridão e não há nenhuma lua nem sequer estrela para iluminar o caminho que já deixei de seguir
Algumas vozes rompem o silêncio dos dias em que perco minha própria voz e, sem cessar, elas contam a história do fim - somente meu fim
Tudo ficará como antes; o medo vai voltar a reinar no mundo dos que veem a luz, pois ver é reconhecer que o pior está por perto; à frente, ao lado e atrás de quem vive
Inferno sem nexo onde a esperança colocou a máscara do paraíso
Monopólio das mentiras; onde forte é quem esconde melhor sua fraqueza
Tristeza sem irreverência; sorrisos banhados em sangue; universo de prisões abertas; cometas que passam à sua direita apenas para lembrar que o pior está por perto.