11.5.15

Correntes

Éramos a própria fantasia
Éramos amantes da noite
Éramos o vazio depois de preenchido pelo silêncio; tínhamos o equilíbrio do mundo em nossas mãos
A luz nos invejava pois estava cansada de não ter tal companhia
As estrelas não nos interessavam pois tudo era visto através de nossos olhares
Romances não existiam, eram todos meros casos de perdição
Tudo era envolvido sobre a manta do amor que se estendia sob o céu acima de corpos unidos
Paz era tudo o que sua respiração me transmitia e eu tinha a ideia de que era recíproco
Minha fortaleza se erguia debaixo de suas vestes, minha escuridão se ia quando sua boca se abria, quando por alguns momentos a eternidade era concebida
Eu me perguntava como você conseguia ser meu poder e ao mesmo tempo tirá-lo me deixando sem saber o que dizer diante de qualquer sorriso seu; minha glória, meu escape, meu tudo e meu nada
Eu me perguntava se o sol seria capaz de brilhar se um dia você faltasse neste mundo
E as minhas respostas você me dava, sempre com a mesma frase: Sou sua. Era só ouvi-la para minha razão fugir e eu não precisar de mais nenhuma explicação
E aí, nosso sonho acabou
Era feito de cristal e como qualquer outro, em mil pedaços se quebrou
Eu vagava pelo mundo sem saber para onde estava indo, você me pertenceu e me deu um caminho e agora vago sozinho para recolher nossos cacos e retornar ao meu lar
Mas eu sei que você já não estará lá
E eu sei que ainda assim haverá um sol para brilhar
Porque de sonhos esse nosso inferno está cheio; sonhos pisados que nunca serão a razão do mundo estar de pé
Sonhos nos desviam da nossa principal função de domínio para nos tornar os dominados de nossa própria prisão de fé.