15.5.15

O domínio

Os anjos recuam pois ele passa
Parece que cada suspiro se cala para que seus passos ecoem na imensidão de um inferno azul
O céu é o mesmo; o sol brilha mas todos sabem, sentem que nada está igual
Seu olhar não é visto e ainda assim é temido pois todos sabem e sentem que são flamejantes como o fogo que os queimará logo mais
Suas mãos sobrepostas sobre seu cajado que o guia - sem necessidade pois ele sabe o caminho de cor - espalham maldições sem que se mova um dedo
Assim que seu domínio se consolidar, não haverá esperança e todos saberão e sentirão que ela nunca esteve lá
Nada nunca esteve
Todos os doces sonhos estavam por trás da nebulosa realidade e todos os amargos medos estavam por trás das mentiras contadas por cada um de nós
O vento não sopra pois não há nenhum Norte
No entanto a chuva cai para que as lágrimas sejam cobertas e não constranjam aquele que reinou enquanto o mundo estava adormecido; enquanto todos se perdiam em seus próprios mundos interligados ao fracasso; enquanto poucos se comprometiam com o submundo do poder
Agora o submundo que pisastes cobrirá seus corpos e não restará mais nada a temer pois só quem está vivo teme, e vocês não irão sobreviver.