5.6.15

Fascinação solitária

Uma borboleta que não voa mais me contou que a chuva se foi; ela também me lembrou de como a lua é capaz de afastar pesadelos e de como as estrelas lembram nossos sonhos.
Neste quarto escuro e abafado falta o ar até para me iludir e fingir que terei tudo de volta.
Longe da visão do céu e de qualquer outra coisa que me remete a liberdade que nunca tive, escondo-me por trás de um "sim" e de todos os "não".
O espelho eu quebrei por não conseguir encarar a face que não conseguiu fugir; não me lembro mais dos meus olhos vermelhos deixando escorrer lágrimas de decepção e, não sei mais a cor que eles escondem; não há tanta perturbação.
Mas de vez em quando, entre um conformamento e outro, certos pensamentos me torturam.
Como quem não quer nada, garras-fantasma me seguram.
Eu menti para mim mesma quando achei que fosse sair daqui.
Porém, quando tentei sair, vi em cada canto um pedaço de saudade e, ao voltar, ao menos a insegurança se colocou à parte.
Mesmo não sentindo o vento, mesmo sem lembrar o desenho das nuvens, a borboleta morta que encontrei me faz sentir a plenitude do sossego de não ser lembrada.
Por isso, já não choro e nem sequer sorrio, pois solidão não me faz sentir nada.