10.6.15

Mais um dia normal

Há vazio, há inconformação, há inquietude e há o silêncio que corta pela raíz qualquer desejo. E assim se passa mais um dia comum.
Envolvida num espaço sem espaço para meus involuntários pensamentos, deveria agradecer por meu coração bater involuntariamente pois conforme minha vontade, ele pararia para que eu não voltasse a sentir o mundo girar.
Pensando somente por não conseguir parar e, por este ser o veneno do meu tédio, eu descubro que não preciso mais me perguntar "Aonde quero chegar?" afinal, nem todo destino é um lugar.
Eu sigo em frente porque do meu passado só guardo o tempo e é com ele que chegarei até você.
Sinto que muito vivi e muito cansei-me mas, nas entrelinhas; entre sonhos; entre receios; eu tenho a certeza de que o peso de hoje será o desejo de amanhã.
Hoje mesmo eu já soube que os dias, por mais longos e angustiantes que tenham sido, ao seu lado passarão como se passam os pássaros que já têm outro rumo.
A cada manhã, ao invés de envelhecer, serei renovada pela vontade - até então nunca experimentada - de que o sol não se ponha para que eu tenha mais tempo de satisfazer essa inacreditável vontade de conhecer quem parece que já conheço melhor que eu mesma.
Seguindo a direção da constância que me rege, almejo versos falados com o seu olhar para que minhas vozes se entreguem, pois a loucura de ouvir o que não devo se deve ao fato de não ter tido medo de ver a tempestade e não recuar.
Outrora talvez eu tenha de encarar tudo que atropelei para forjar nosso encontro mas, por enquanto, me encontro com essa insana vontade de continuar a atropelar.