30.4.16

Se matar não é atirar na própria cabeça; pular de uma ponte bem alta; cortar o pulso na vertical ou se jogar na frente de um caminhão.
Se matar é chorar por dentro com um sorriso no rosto; fumar o máximo que  consegue para sufocar a dor juntamente com os pulmões; se calar diante da acusação; resistir a vontade de gritar; é preferir o escuro que enxergar a vida.
Se matar não envolve caixão,  velório, enterro, sentimento alheio.
Se matar contempla a mente confusa; o peito doendo de angústia; a boca seca como olhos que fingem; mãos trêmulas como essas que me sacodem ritmicamente com a voz que grita: acorde!