30.10.16

Acho que estou vivendo da maneira errada; logo eu que nunca pensei que tivesse manual pra viver. Eu tenho que escolher entre paz formulada e felicidade controlada; não pensar mais, não ter seiscentas indecisões por dia e poder agir sem culpa ou manter essa felicidade que não se auto sustenta e mais se parece uma flor murcha que ainda não deu adeus ao seu galho. Nada é simples, eu sei, no entanto isto está complexo demais – até para mim; rainha das ilusões mais detalhistas. Eu não sei ser sutil; não sei fingir que posso lidar com isso. Eu saio do quarto em busca de algo que não encontro. Da mesma forma, entro de volta para ver se está ali. Ouço pessoas dizerem “não sei o que fazer” e, no mesmo instante, meu cérebro me mostra o que deve ser feito. Acho que ele travou, dormiu, fugiu, se escondeu ou morreu porque essa foi a frase que mais disse essa semana e nem um palpite sequer ele me apresentou. E, se estou respirando e guiando meu corpo ainda, devo abrir mão do orgulho que me fazia dizer que coração não pensa já que é ele quem está na direção. Mudei interesses, prazeres, roupas, pensamentos, atitudes e minha vida não mudou. No fim eu sou apenas uma garotinha indecisa que precisa escolher entre voltar a brincar com os brinquedos antigos ou se adaptar à modernidade que atingiu o que ficou.