31.10.16

Súplica

Olho para fora na esperança de que uma resposta irá criar pernas, bater na minha porta e dizer o que faço para tirar isso de mim. Olho para o teto esperando que ele caia e me faça dormir para sempre, pois seria menos dolorosa a falta do ar que a falta de uma explicação. O vento sopra sempre no sentido contrário a mim como que para me guiar para longe. A escuridão me envolve substituindo o afago que eu poderia ganhar de você. Eu me escondo atrás de um trecho de música, me afogo em versos incompletos, resisto à vontade de fugir e me entrego a esse desatino irreversível de te querer. Eu me acalmo com a ilusão das suas palavras e logo em seguida meu mundo cai pelo mesmo motivo. O que me faz sorrir é a mesma irrealidade que me entristece. Eu me forço a ser forte como se fosse possível não deixar transparecer tanta inquietude. Com as pernas balançando sem cessar, deixo a ansiedade resolver por mim o próximo passo. Ela sempre erra. Eu vago escutando o céu rir e me canso sob a visão de um próximo dia. São auroras infernais. Dias sepulcrais. A atmosfera conspira e grita "quem descansará em paz; essa paixão ou sua alma?" e sem poder saber do fim, ignoro, finjo que não a ouço mas por dentro essa pergunta rouba minha paz.