1.12.16

Depoimento inestimável

    Por aí, palavras impensadas muitas vezes se confundem com o infinito: medo, covardia, insegurança e ignorância são infinitos. As opiniões mudam, os detalhes também mas, não o contexto. Tanta coisa desprezível não poderia deixar de contribuir para que chegue o momento de perder o controle.

    15 de dezembro desse ano. Ela me olhou nos olhos e disse que me amava depois que eu a vi com outra pessoa. Ela ainda quis me convencer de que eu estava louco. No entanto, ela não precisava porque naquele momento eu surtara. Eu acumulei venenos em minha alma e a hora do arrebatamento chegara. Eu sei que muitos pensam que não fui eu que morri mas, eu me perdi no labirinto da vida e dá no mesmo. Eu senti meu sangue borbulhar e cada partícula de ódio e infelicidade que brotara em mim desde a primeira mentira correr direto para meu cérebro. O céu que estava azul há alguns segundos estava agora vermelho como meus olhos e enevoado por causa das lágrimas. Ela nunca me viu chorar, nunca me viu lamentar e nem mesmo reclamar. E agora ela teria de sentir de uma só vez o peso de tudo que eu já poderia ter feito caindo em si como uma bigorna. Eu não te odiava, eu te amava. E, durante esses anos que passamos juntos, eu pude te apreciar e observar. Guardei para mim cada detalhe, cada perfume, gosto, sensação; está tudo em minha memória e ela não se vai com minha mulher; ela fica para me recordar de quem alguém já foi; alguém que me amou por alguns instantes. Eu fui momentos e ela será a eternidade. Viva ela não sobreviveria em minha mente pois já estava sucumbindo como meu amor. Eu não poderia deixar isto morrer. Não me importo de não poder ver a luz do sol completamente já que ao seu lado eu estava quase sempre no escuro e, se não pareço livre agora, saiba que enquanto seu sangue escorria eu me sentia como as águas do mar desaguando no oceano. Eu fui mais livre do que você sonhou ser. E isso, meu amor, não tem preço.