3.1.17

Eu penso, penso e penso de novo. E aí, quando estou quase perdendo o controle, surge uma paranoia. Ela é o fruto da minha imaginação. É como a invenção que deu errado de um cientista louco. O meu eu todo passa a ser pura loucura e nostalgia. E são doenças contagiosas que contaminam tudo o que você toca e até o que olha. Essa paranoia é sede que nenhum líquido mata, oxigênio que nenhum pulmão absorve, medo que nenhum psiquiatra supera. E mesmo causando tanto alvoroço na plateia da minha alma, o meu eu permanece imóvel e quieto como se soubesse que nasceu para suportar, que vive para se descontentar e criar constantemente; mesmo que seja uma má criação. Eu erroneamente prossigo pois se houvesse em mim qualquer bom senso a realidade eu viveria. Infelizmente quem grita em meus ouvidos tem a inquietante personalidade dos deuses mitológicos e não aceita menos que sonhos extraordinários. Com a mesmice em pauta, minha alma se exalta e se agita até que uma paranoia possa algum humano afetar.