3.5.17

Os erros se perdoam sozinhos quando a noite chega e você rola indeciso entre um lado e outro da cama, o bem e o mal, o céu e o inferno... Até que amanhece. Todos os erros se perdoam sozinhos exceto aqueles que acreditamos ser nossos; esses precisam nos roubar um pouco de paz, sono e sanidade por mais que uma noite. De pouco em pouco a loucura chega e, antes de ficar velho você não consegue mais ser jovem. O cansaço aumenta com os segundos contabilizando o tempo que resta até se tornar insuportável. Se faz presente nos seus silêncios, por trás dos seus olhos sem brilho, no seu riso sem jeito e no eterno deslize de sair de si quando alguém começa a falar. Você sempre acreditou que o mais difícil seria vencer seus inimigos até se dar conta de que eles eram você. O ego escondeu os defeitos irreparáveis de si mesmo e agora há uma névoa de orgulho impedindo que veja o desgaste tomar conta. Você podia tudo e se encontra de mãos atadas. Com sua rotina infectada o fim se aproxima lentamente. É um veneno que causa morte lenta; respire fundo e aprecie. Novamente e novamente.